Instituída como um Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em dezembro de 1997, por meio da Portaria nº 170-N, a RPPN João Basso ocupa mais de 3.600 hectares na Fazenda Verde. Inserida no bioma Cerrado, a reserva reúne formações também de cerrado rupestre, áreas florestais e ambientes úmidos, um mosaico de paisagens que abriga rica biodiversidade.
A reserva é uma é uma Unidade de Conservação (UC) de domínio privado e caráter perpétuo, criada por iniciativa voluntária e seu nome homenageia o fundador da Jotabasso, João Basso, que iniciou em 1971 uma trajetória construída a partir do campo e de uma visão de longo prazo. Ao dar seu nome à reserva, a empresa perpetuou esse legado em um território que, além de produzir, passou também a ser dedicado à conservação.
Um patrimônio que vai além da natureza
A região é objeto de pesquisas arqueológicas desde a década de 1980. Dezenas de sítios já foram identificados, com registros como inscrições rupestres, materiais líticos e cerâmicos e vestígios de fogueiras. Entre eles está o Abrigo Ferraz Egreja, um dos principais da região, onde uma das datações remonta a aproximadamente 4.600 a.C.
Os estudos envolveram diferentes gerações de pesquisadores e instituições, como a missão franco-brasileira, a Universidade de São Paulo (USP) e o Muséum National d’Histoire Naturelle, de Paris. Parte desse conhecimento foi reunida no livro Cidade de Pedra: passado no presente.
Da arqueologia à biodiversidade
Em 2026, a reserva passou a ser estudada também pela Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), em um projeto de três anos que faz o inventário da fauna e da flora nos diferentes ambientes da RPPN, com campanhas em várias épocas do ano.
Os resultados preliminares já mostram a riqueza da área: cerca de 290 exemplares de abelhas e vespas, mais de 100 registros de anfíbios e répteis, cerca de 499 exemplares de peixes, 192 táxons de flora e 40 táxons de fungos. O projeto também prevê coleções científicas de referência, listas de espécies e materiais de educação ambiental.
Produzir e conservar no mesmo território
Ao longo de 55 anos, a Jotabasso cresceu acompanhando as transformações do agronegócio e investindo em tecnologia, genética e inovação, com práticas voltadas à racionalização de recursos e à conservação ambiental. A RPPN é uma das expressões mais permanentes desse compromisso: uma área de conservação dentro de uma propriedade produtiva.
A reserva não é aberta à visitação turística. O acesso é restrito às atividades de conservação, pesquisa e manejo autorizadas, e a área conta com ações permanentes de proteção, prevenção e controle de incêndios e acompanhamento ambiental.
Depois de quase três décadas, a RPPN João Basso segue cumprindo seu papel: conservar a biodiversidade, proteger recursos naturais e preservar um patrimônio arqueológico, para que novas gerações possam conhecer e estudar aquilo que o tempo ajudou a guardar.
Clique abaixo e confira o bloco do episódio do programa Mais Natureza MT, que apresenta a Cidade de Pedra.
O Mais Natureza explora as impressionantes formações rochosas, revelando paisagens esculpidas pelo tempo e a riqueza natural do Cerrado. Entre paredões de arenito, mirantes e registros dos nossos antepassados, vamos descobrir um patrimônio natural que encanta e reforça a importância da preservação ambiental.
